POESIAS

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Morre o filho de meu pai

Morre o filho de meu pai,
vestindo a sobrecasaca de ontem
morre o filho de meu pai,
molhado da chuva de ontem
morre o filho de meu pai.

Sem sorrir ou com o corte
dito de muitas bocas e frio,
tão friamente dado e curvo,
exigido pelo departamento
externo da culta felicidade,
morre frio e dado ao curvo
pensamento calculado,
morre o filho de meu pai.

Morre o filho de meu pai,

e tão largamente abraçam,
abertamente argumentam
os conhecidos, que esquentam
cada um dos bancos da memória,
na mão a incerteza e o peito inútil,
corrida nos pés e o espírito
imensurável, que se armazena
irrefreável, opalino e dançarino,
e a musicalidade dos sinos
embalando os seus afetos.

Morreu ontem o filho de alguém.

Bruno Kajiwara Autor Bruno Kajiwara MEU PERFIL
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